Boas vindas

Seja bem-vindo, caro leitor/escritor. Ler faz bem à saúde - física e mental. Sabendo disso, obrigo-me a tomar cavalares doses diárias de leitura. Como tudo que é exagerado faz mal, preciso eliminar parte desse remédio para manter meu organismo saudável. Não há pâncreas que produza qualquer enzima capaz de catalizar a leitura, ou fígado capaz de ajudar a excretar o excesso. O melhor tratamento, descobri, é escrever. Crimine Liber, portanto, tem a nobre e terapêutica missão de aliviar a pressão provocada pelas doses de leitura, além de fazer despejar aquilo que meu organismo absorveu de melhor ou pior dos livros que li, tenho lido ou vou ler. Espero que você aprecie!!!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Lançamento: Na fronteira da realidade de Gabriel Billy




Olá leitores,

Meu colega Gabriel Billy convida para o lançamento do seu romance de estréia ‘Na fronteira da realidade’ pela editora Torre, que acontecerá na próxima quarta-feira, dia 25 de janeiro de 2012, às 19:00 h, no Boteco Salvação, na Rua Henrique de Novaes, nº 55, Botafogo, Rio de Janeiro.

Não li o livro, mas pelo que assisti do book trailer e pelo que li da resenha, parece uma excelente obra. Boa oportunidade para conhecer um novo autor brasileiro. Estarei lá!!!
 
Abaixo o link para o book-trailer:

Na fronteira da realidade - book-trailer

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Atraso

Queridos e raros leitores,

Faz tempo não posto sobre um novo livro, mas há uma explicação: os tempos estão difíceis.

Estou terminando um romance; uma obra interminável se apoderou da minha casa; estou dividindo o tempo entre o trabalho, a obra e o romance; não consegui concluir nenhuma leitura nos útlimos dois meses; extraterrestres vampiros invadiram a Tijuca; dinossauros destruíram a rede de fibra ótica que dá acesso à internet e a obra do metrô só terminará em janeiro de 2014 (ha ha).

Tá bom, é pouco, mas estou um tanto atarefado (especialmente combatendo os extraterrestres). Prometo até o final do ano publicar resenha de dois (ótimos, dizem) romances que me chegaram às mãos.

Até lá sugiro duas excelentes leituras no Blog da Companhia: http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/12/10-pedidos-de-fim-de-ano-para-o-meio-literario/ e http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/10/fui-ate-a-janela-e-olhei-para-a-lua/

É tudo, por enquanto, se é que interessa a alguém.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sinuca embaixo d'água


Sinuca embaixo d'água


Cotação: §§§§
Livro: Sinuca embaixo d’água
Autor: Carol Bensimon
Editora: Cia. Das Letras

136 páginas


Estou meio atordoado até agora, tentando entender o que está acontecendo com o Rio Grande do Sul. Nos últimos meses conheci ‘novos’ autores gaúchos que conseguiram mudar minha rota de leitura, de tal forma, que não controlo mais minha ansiedade enquanto espero por outra novidade. Carol Bensimon foi a última.

Acompanhava muito satisfeito sua coluna quinzenal no Blog da Companhia (Blog da Companhia/Carol Bensimon), mas como a pilha de livros por ler anda tocando o teto, comprar seu romance de estréia nem passava pela minha cabeça. Lia a coluna, sentia vontade de comprar o livro, olhava para a pilha, lia a coluna, sentia vontade de comprar... comprei. Nem chegou a descansar na estante.

No mesmo dia, para ser exato, no mesmo instante em que comprei o livro, sentei para tomar um café e comecei a ler as primeiras páginas. É chiclete, impossível de limpar da mente! Depois do trabalho, voltei lendo no metrô, li antes de dormir e não parei mais até terminar. A qualidade da cronista (colunista) eu conhecia, da escritora eu suspeitava, mas só agora posso atestar. Que descoberta (pessoal)! Mas, vamos ao livro, depois volto à escritora e aos gaúchos.

O curto romance tem muitas qualidades, a começar pela narrativa original. A partir de um acidente de automóvel em que morre a jovem Antônia, acompanhamos a transformação na vida de diversos personagens ligados a ela de alguma forma. A história se desenvolve com as reflexões de cada um desses personagens, que buscam compreender desde as causas do acidente passando pela importância de Antônia em suas vidas, chegando até uma nova etapa em que, agora, tudo é diferente.

Difícil, para cada um deles à sua maneira, é aceitar a modificação súbita, mais interna que externa, provocada pela perda de uma pessoa próxima e querida. E essa quebra de ritmo, essa mudança de planos inesperada e imutável é o que aproxima os personagens espalhados pela vida da jovem.

Ponto especial do livro é a ‘verdade’ que pula das páginas, provocando no leitor a sensação quase real de assistir uma partida de sinuca no Bar do Polaco, com um copo de cerveja e um cigarro nas mãos ao som de Guns n’ Roses, dada a clareza da ambientação, com um detalhamento sem exageros, mas preciso. E a sensação é agradável, a despeito do luto constante do livro.

Mais qualidades, os personagens são muito bem elaborados. E são muitos (sete), de classe social e formação cultural bastante diferentes. A linguagem simples e coloquial (proposital) faz o leitor notar as diferenças sem esforço, o que não é fácil de conseguir.

Outra, para quem foi jovem, ou adolescente, nas décadas passadas, há um enxame de referências musicais e literárias que ajudam a levar esse leitor em especial a compreender, talvez mesmo sentir, o que sente cada um deles.

E por aí vai Carol Bensimon costurando uma história comovente, realista e muito bem contada, o que me faz voltar à atual cena literária gaúcha questionando o que faz o Rio Grande do Sul para surgir tão bons autores numa mesma safra. Talvez seja o chimarrão, que já incluí na minha dieta.

Detalhe legal, Carol foi finalista do prêmio São Paulo de literatura, Jabuti e Prêmio Bravo!, com Sinuca embaixo d’água.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O filho eterno




Cotação: §§§§§
Livro: O filho eterno
Autor: Cristovão Tezza
Editora: Record

222 páginas

Todos nós conhecemos a sensação de um dia, subitamente, acordarmos e deparamos com uma imagem desagradável no espelho. Com uns é mais frequente, com outros, menos. Pois essa sensação me assaltou quando li a última das 222 páginas de ‘O filho eterno’, e no curso de cada uma delas também.
O livro, vencedor de inúmeros prêmios (Jabuti, São Paulo, Portugal-Telecom, entre outros), foi o meu espelho e, mesmo feia a imagem, passo a defendê-la, ou justifica-la, ainda que aos tropeços, como faz o narrador. Talvez defender o pai egoísta (?) que renega, ou tenta renegar, até o último argumento uma verdade inafastável, seja defender a mim mesmo. Talvez o seu egoísmo e o seu cinismo diante da realidade simples, mas cruel, seja o meu. Não sei, mas o impulso é inevitável.
De tudo, o que restou da minha imagem feia diante do espelho foi a verdade; algum dia acordamos e notamos que o cabelo está despenteado e babamos a noite toda, estamos (somos) feios. O livro de Tezza me tirou do sono (sonho) profundo e me pôs diante do espelho, e serei eternamente grato a ele por isso.
Da história basta saber que um homem (no início do livro ele ainda não é um pai) espera pelo primeiro filho. Ele imagina o filho perfeito como imagina a si próprio e conclui que um filho é aquilo que esperamos do filho, portanto, seu caminho está traçado. Mas não é. Seu filho tem Síndrome de Down e, a partir dessa notícia, a vida que levava deitado sobre uma cama de ilusões muda de perspectiva. O colchão fura e o ar do idílio dá lugar aos tijolos da realidade.
Tudo gira em torno de como o pai vê o filho e sua importância e a importância da Síndrome em suas vidas que vão seguindo impossíveis de ser freadas, ou alteradas. Suas frustrações começam a aflorar amontoando-se uma sobre uma e, amadurecendo o pai, começamos a perceber que não se trata de egoísmo, e sim de insegurança, frustração, o medo do tal espelho. Não se trata de crueldade, e sim do desespero de descobrir que as coisas jamais poderiam ser o que não foram (como teoriza o próprio pai ao longo de todo o livro) e isso incomoda. Trata-se de acordar e notar que seu rosto (pelo menos às vezes) é mais feio do que você supunha e isso machuca.
Em certos momentos tive a impressão esquizofrênica de que o autor invadiu minha cabeça e descobriu alguns dos meus segredos inconfessáveis, angústias e inseguranças que parecem uma marca de nascença contra a qual não há cirurgia de remoção. Acho que isso não aconteceu, mas é tão impressionante a sinceridade com que a narrativa se desenvolve que sua qualidade está nisso, e a difere da maioria dos livros, é uma história verdadeira, sob muitos aspectos, e por isso é tão profunda, tão relevante.
Lembro alguns livros que foram importantes na minha vida (alguns segredos inconfessáveis): O pequeno príncipe, O menino maluquinho, As aventuras de Tom Sawyer, O piano e a orquestra, Antes do Baile Verde, O estrangeiro, 1984, Libertinagem & Estrela da Manhã, O Cortiço. Todos em momentos e por motivos diferentes, não mudaram, mas ajudaram a construir o que eu sou e ‘vim sendo’. ‘O filho eterno’ entra nessa galeria pessoal, e a partir dele enxergo outro rosto no espelho.